Covid-19 infecta os modelos de gestão… E agora?

Por Rafael Alves Fayet
Sócio consultor da Gestão Inteligente

 

Normalmente inicio minhas palestras e treinamentos com a frase do Heráclito (filósofo grego, 540 – 475 a.C): “Nada existe de permanente a não ser a mudança”, e contextualizo essa frase com a realidade em que vivemos – sociedade, economia, tecnologia, organizações, etc.

Penso que essa frase nunca esteve tão atual!

Essa mudança que a pandemia do Covid-19 está nos fazendo passar é, talvez, uma das maiores mudanças em um curto espaço de tempo que a grande maioria das pessoas já vivenciou. Acredito que nem mesmo a Segunda Guerra Mundial teve esse impacto no cotidiano das pessoas aqui no Brasil.

De certa forma, as grandes mudanças são demoradas, levam anos ou décadas, e nos adaptamos a essa longa transição – como, por exemplo, a globalização, a revolução industrial, a indústria 4.0, entre outras.

Desta vez não, em poucos meses tudo mudou. Assisti uma live esses dias com especialistas em ISO 9000. Foi perguntado se alguma empresa tinha identificado o Covid-19 em seus planejamentos ou mapeamentos de risco. A resposta foi negativa.

Há que se pensar… Obviamente não devemos inflar os nossos modelos de gestão com todas as possibilidades, sejam elas ameaças ou oportunidades externas. Mas então, qual a funcionalidade dos modelos de gestão (Planejamento Estratégico, Qualidade Total, Lean, ISO 9000, etc..) quando enfrentamos esse tipo de situação?

Conforme o modelo japonês preconiza, e não importa qual a ferramenta ou metodologia que a empresa utiliza, os modelos de gestão devem servir à organização como formas de sistematização de aprendizado.

 

Isto é, um ciclo de aprendizagem que deve considerar a capacidade de levantar informações do ambiente que a organização está inserida, analisar criticamente essas informações, criar soluções inovadoras e ter efetividade na implantação das ações. O resultado gera melhorias, inovações, novos contextos e novos problemas que devem realimentar o próximo ciclo, consolidando e aumentando o aprendizado organizacional.

Essa situação imposta pelo Covid-19 deve nos trazer muitas reflexões: de que forma nossos modelos de gestão estão implementados como ciclos de aprendizagem em nossas organizações? Qual a nossa capacidade e competência de realizar esses ciclos de forma sistemática? Qual a frequência que esses ciclos acontecem ou que os realimentamos?

Mas, e agora, o que fazer? Já estamos infectados! A realidade está aí, batendo em nossa porta!

Existe uma questão óbvia que é o curtíssimo prazo em que as empresas se reorganizam internamente.

Muitas coisas operacionais precisam ser decididas (quem trabalha, quando trabalha, como trabalhar, férias ou banco de horas, clientes, contratos, pagamentos, etc…). Mas isso deve se ajeitar em breve. O tempo para organização da casa está passando… ou já passou.

 


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Certamente será necessário definir uma estratégia de sobrevivência para as organizações. Mais do que isso, a liderança precisa agir de fato e repensar a organização e seu negócio de forma sistêmica considerando, por exemplo, as pessoas, a cultura organizacional, os processos, os clientes, os mercados e o resultado financeiro.

E para isso é necessário responder algumas perguntas: Qual estratégia será definida? Qual o papel de cada um nesse processo? Como conduzir esse processo em meio à tormenta? E, talvez assim como a vacina para o Covid-19, como estruturar o nosso modelo de gestão para que funcione como um ciclo de aprendizagem efetivo?

Ou a liderança irá “lavar as mãos”?

É o momento de pensar ou repensar a organização, assim como o lenhador precisa parar em certos momentos para afiar o machado…

Enfim, acredito que temos uma boa oportunidade porque essa mudança de cenário exige uma estratégia de sobrevivência, e quem estiver mais bem preparado e planejado vai sair na frente. Nesse sentido, o Planejamento Estratégico é uma forma de alinhar e organizar as estratégias e ações em um todo coerente, com uma visão sistêmica do contexto e da organização.

Termino com a frase do Bob Knight, controverso treinador de basquete americano: “A chave não é a vontade de vencer… todo mundo tem isso. É a vontade de se preparar para vencer que é importante”.

 

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