Por que a alta direção não se envolve com a gestão da qualidade?

O engajamento da alta direção na implementação do Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) é fundamental para o sucesso do negócio. Quando um SGQ começa a ser estruturado na empresa, mudanças são irremediáveis e isso gera certa relutância por parte dos colaboradores — na maioria, aqueles que estão há mais tempo na companhia.

Por isso, o envolvimento da diretoria é decisivo no processo de conquista, de cobrança e de conscientização de todos que fazem parte da organização. É comum pensar que o ator mais importante durante o processo de implantação é o representante da direção, mas não é bem assim.

Não que ele não tenha grande influência no êxito do SGQ, mas o maior responsável pelos resultados é o empresário que toma a decisão de implantar o sistema de gestão em sua organização.

Assim, acompanhe os tópicos seguintes e compreenda o quão influente a alta direção é na gestão da qualidade.

Alta direção X Gestão da qualidade

É comum encontrar membros da alta direção propondo, por exemplo, a implantação da ISO 9001 por influência externa, porque o mercado estabelece ou por necessidade similar, mas não por um desejo de aprimorar os resultados da empresa e de seus clientes.

Isso tem um efeito muito negativo, tornando as organizações portadoras de certificados e não instituições focadas na melhoria contínua dos processos.

Muitas vezes, a diretoria sequer conhece os benefícios da gestão da qualidade e como ela pode, verdadeiramente, colaborar para a maximização da produtividade, a minimização de custos, a padronização dos processos, dentre outras vantagens.

Ou seja, o foco maior acaba sendo o de “obter o diploma”, a certificação, e não em conhecer e aplicar as instruções da norma para mudar a cultura da empresa.

Fator de sucesso em um sistema de gestão da qualidade

Para que uma empresa seja detentora da ISO ou de qualquer outro sistema de gestão, é essencial contar com a alta direção diretamente envolvida no processo. Isso porque é a diretoria que detém de autoridade, de recursos e de autonomia sobre as modificações na empresa.

Sem a participação dos diretores, as mudanças simplesmente não ocorrem. São eles que conhecem a gestão estratégia do negócio e determinam as prioridades. Logo, o sucesso da implantação do sistema de gestão da qualidade é proporcional ao comprometimento da alta direção em desenvolver um sistema de gestão eficaz.

Ou seja, se não há vontade da direção, não há como cobrar empenho daqueles que estão abaixo. Sendo assim, o ideal é orientar e conscientizar a alta direção e, mais tarde, propagar pela organização os fundamentos do SGQ.

Motivação dos demais envolvidos

Uma boa liderança cativa um ambiente de pessoas engajadas nos objetivos da organização e na satisfação dos clientes. Importante lembrar que a equipe deve ser parabenizada na superação de objetivos, afinal, celebrar o sucesso fortalece o espírito de equipe e ajuda a solidificar uma cultura focada na qualidade. Uma equipe devidamente motivada e autoconfiante sente-se estimulada a manifestar opiniões e a propor melhorias.

A chave para o sucesso de um SGQ está no comprometimento dos líderes, pois, ao propagar o envolvimento em todos os demais níveis da organização, haverá um sistema de gestão da qualidade robusto e que realmente contribua para a melhoria contínua dos processos, do desenvolvimento do negócio, da satisfação dos clientes e, consequentemente, da tão cobiçada certificação.

A alta direção da sua empresa está devidamente envolvida na gestão da qualidade? Deixe seu comentário e compartilhe conosco quais são as dificuldades encontradas.

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2 comentários sobre “Por que a alta direção não se envolve com a gestão da qualidade?

  1. Com a atualização da norma, para 2015, creio que a alta direção terá que se envolver mais, mesmo porque não existe mais a figura do RD. Mas tudo o que disse está certo, até diria que implantar um sistema para um certificado até dá, mas a visão da Diretoria será de um sistema que tem um custo alto. Se for o contrário, por exemplo, houver a participação da Diretoria em tudo, o sistema agregará valores aos processos e os custos são mínimos pelo retorno do sistema de gestão empregado.

  2. Lendo este debate, pode-se questionar, qual o nível de envolvimento que se quer da Alta Direção? (Não se esqueça que tem que definir as responsabilidades). Será que o problema está na alta direção?
    Com quase 20 anos de experiências em gestão da qualidade na área industrial e na área acadêmica alguns pontos devem ser destacados que fazem sentido a discussão desse tema. Alguns pontos que podem ser identificados que podem estar gerando baixo envolvimento:
    1 – A política da qualidade não foi definida pela a alta direção
    2 – Os objetivos não estão relacionados a política e nãa focam os objetivos da organização, o foco está em não-conformidades, retrabalho, cumprir cronograma de auditoria, ao inves de faturamento, confiabilidade, rentabilidade e outros.
    3 – Os processos foram mal definidos e são mal monitorados
    4 – A análise mensal de dados é feito pelo RD ou pela Qualidade e não pelo Dono de cada processo
    5 – O Diretor da área não tem envolvimento na análise mensal dos dados.
    6 – A Análise Crítica da Direção não é consistente com o desempenho do SGQ.

    O cliente exige um sistema de gestão pois ele reconhece as vantagens de ter um fornecedor que fale a mesma linguagem. As responsabilidades devem ser definidas e cada um deve fazer sua parte. Quem conduz o sistema de gestão deve ser facilitador e alinhar o sistema de gestão a atender os requisitos do cliente e da organização.

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