Como gerir empresas e pessoas?

Guru e autor de best sellers de gestão diz que a empresa deve gerir pessoas como a internet.

Para o guru e autor de best sellers de gestão Gary Hamel, nas empresas não deve haver hierarquias e todo mundo deve ter poder de decisão – assim como na internet
A grande maioria das empresas que conhecemos, possui uma estrutura piramidal, ou seja: no topo há alguém que comanda outros, que chefiam outros, e assim por diante. Segundo o escritor, essa estrutura duradoura e escalável, a qual ele chama de “a espinha dorsal da burocracia”, está mais do que ultrapassada. Ele reconhece que foi devido a ela que a humanidade conquistou muito do que existe hoje – carros, celulares e até mesmo o fato de não precisar mais dedicar 80% do tempo produzindo o próprio alimento – mas diz que, hoje, pessoas têm demandas diferentes.

 “Quando se encolhe a autonomia, encolhe também a capacidade de inovar”

Um dos problemas da arquitetura piramidal, segundo Hamel, é que ela foi criada para “expulsar a diversidade”, com a premissa de obediência a procedimentos. “Damos a cargos de liderança o poder de avanço da empresa, a capacidade de inovação. E os líderes não querem mudar”, diz. Como exemplo, ele cita a organização da Microsoft. Por muito tempo, o desenvolvimento de qualquer novo software dentro da empresa, precisava da aprovação de Bill Gates.
“Ele era inteligentíssimo, mas estava preso a um modelo em que o PC era o centro dos negócios. Imagine se Mark Zuckerberg (fundador do Facebook) ou Steve Jobs (criador da Apple), trabalhassem para Bill Gates? Teríamos pouquíssimas inovações”, diz.
Outro ponto negativo da pirâmide, apontado pelo escritor, é a “leve tirania”, uma espécie de autoritarismo disfarçado. Ele explica essa questão usando um exemplo bastante curioso: a maioria das pessoas que conhecemos tem autonomia para comprar um carro na hora em que quiserem. Talvez elas precisem de financiamento, ou qualquer outro recurso, mas provavelmente, elas conseguirão. Por outro lado, como funcionários de uma empresa, elas não são capazes sequer de comprar uma cadeira sem autorização. “Quando se encolhe a autonomia, encolhe também a capacidade de inovar”, afirma.
Você deve estar pensando que uma empresa jamais conseguirá reunir todas as características citadas por Hamel e ser eficiente. O fato é que, muito pelo contrário, organizações assim já estão funcionando a pleno vapor – e com os lucros lá em cima.
Um dos exemplos citados pelo guru, durante o fórum, foi o da Morning Star, líder mundial na produção de tomates. A companhia, situada no vale central da Califórnia, nos Estados Unidos, possui cerca de 500 funcionários e cada um deles é chefe de si mesmo.
Apesar de não adotar nenhuma liderança formal, a empresa possui colaboradores mais engajados do que vice-presidentes de grandes corporações, garantiu Hamel, que está escrevendo um livro sobre ela.
Ao entrar para a Mornig Star, cada pessoa precisa escrever a sua missão e precisa responder a ela. Através de uma carta, negociada em entendimento entre 10 ou 12 colegas, é criado um contrato de desempenho e assim uns controlam a eficiência dos outros. Se tiver mais de seis indicações de demissão, o funcionário perde o emprego.
“Lá, todo funcionário pode assinar o cheque da empresa. Se alguém precisa comprar um esquipamento, chega para a contabilidade e diz que precisa do cheque. Não há cargos, nem níveis. Ninguém está competindo, mas todo mundo quer assumir responsabilidades”, contou Hamel.
Para conseguir chegar a esse engajamento, a companhia desenvolveu competências internamente. Metade da equipe aprendeu finanças: o que é retorno de investimento e como calculá-lo, por exemplo. “Ao invés de levar as decisões para quem tem conhecimento, eles levam conhecimento para quem toma decisões”, disse Hamel.
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Fonte: Revista Exame de 05/11/2013
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